Segunda-feira, 27 de Abril de 2009


Surrava o vento docemente

Fazendo-me perder no seu mermúrio

Quase inaúdivel

Quase inantigível

Tento em vão escutar o que ele me diz

Soa-me sedutor

Como um bordão repetindo incessantemente um sentimento

Envolvendo-me no seu toque gélido

Acariciando-me os cabelos... Agora revoltos do seu toque

Libertos de quaisquer amarras

Revoltos como a natureza que habita em mim

Selvagem na sua forma de ser

O lenço que me abraçava esvoaça agora

No vazio do tempo

Na imensidão deste nocturno céu

Parece perder-se entre o limbo das estrelas e do vasto oceano

Que à minha frente avisto

Assim calmo emitindo apenas uma doce melodia

Espelho do seu movimento

Será o vento a voz encantora e o mar o seu terno acompanhador

Da sinfonia que produz este mundo incessantemente?

Não sei. Só sei que a minha mente por ela se deixa encantar

Embrenhar

Até mais eu não ser eu

Nem o mar o mar

Nem o vento o vento

Somos agora todos unos do sentir

Todos uma só consciência e várias simultaneamente

Da harmonia que nos liga

Uns aos outros independentemente do quer que sejamos

Gente ou animal

Planta ou água

Terra ou ar

O universo tem a sua própria melodia

Perdida para tantos já

Parasita este humano que destroi o lugar que o acolhe

Esquecido daquela que nos faz viver e ser como somos

Levanta-se a voz daquela que nos abriga

Não sei quanto mais não gritará de vez

Pois cada dia que passa

É mais um dia que sofre...

É mais um dia que é injustiçada

Caiem-me as lágrimas pelo teu esquecimento

Destes que contigo não sabem viver

Que de ti se estão sempre a esquecer

E eu...sou apenas uma alma

Lanço ao vento as minhas palavras

Ao mar as minhas lágrimas!


Mafalda Sanches

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