Quarta-feira, 25 de Março de 2009

Imersa na mais profunda escuridao
Perdida nas mais escuras ruas
Como facas no meu coraçao
Vagueio sozinha naquelas horas que ja foram tuas
Correm-me as lágrimas agora
De um sentimento que tanto tentei enterrar
De algo que teve que até agora esperar
De algo que outrora
Ocorrera no teu lado mais negro
E eu vira no teu olhar
Que novamente aconteceria
E que eu ainda mais choraria
E isso não é amar
E isso não é proteger
É magoar
É mais um pouco morrer...
Choro na noite em silêncio
Para que o mundo não me ouça a mágoa
Tão conturbada como a revolta água
Dos mais gélidos oceanos
Assim conquistada
Ignorava quaisquer sinais
Assim pensava eu amada
Cega perante sentimentos tais
Ignorei o que ocorrera
Tentei esquecer
Tentei na sombra viver
Mas não consegui
O meu corpo reclamara
A minha alma gritara
Entao fugi
Do lado negro que em ti crescia
Nao sei eu porquê. mas via
E ao mundo força pedi
Não me respeitaste em algo tão simples
Tanto te pedi para parares
E a negridão no teu olhar vi
E jamais o que vi esquecerei
E jamais te perdoarei
O não teres respeitado
O teres ignorado e até brincado
O sentimento de uma fada
O pedido daquela que dizias ser a tua amada
Retiro a minha protecçao
Que a ti tão ingenuamente coloquei
Que a ti tão honestamente entreguei
Protegia-te de mim própria dizia eu
Para que nunca te sentisses por mim influenciado
Acreditava eu assim resolver erros do passado
Entregava-me eu assim ao teu
Ser, corpo, espirito
Rendido
Retiro agora com a certeza
Pois o que nos teus olhos naquele dia vi
Demasiado negro fora e por ti
Nada de errado fizeste
Nenhum mal houvera
Veio a Primavera
E senti que o que unida fora
Desfeito agora deveria ser
Venha a aurora
É hora de nascer
Dor física se assim o entender
Garanto-te que na minha cara não irás ver
Qualquer regozijo para teu belo prazer
Pois quando Trebaruna se levanta
Garanto que o poder alcança
E por duas semanas ela se ergueu
Até o espirito fingir que a mágoa morreu
E um mês passara
E eu ignorava
Sabendo-me pela distância segura
Sabendo-me envolvida na doçura
Dos que mais bem me queriam
Dos que comigo diariamente viviam
Mas chegara a hora do ultimo encontro
E eu sorria embora vivesse num alerta pronto
Continuava sem perceber a necessidade de confronto
Não havia droga que me fizesse esquecer
Não havia nada que nao me relembrasse o sofrer
Crescerás um dia? quem sabe daquele que me acusa de criança ser
Engraçado ser o único isso ver
Como poderia te amar?
Se nao me soubeste num momento tão único respeitar?
Muito terás nesta vida ainda que aprender
Muita mágoa aind virás a ter
A minha lição está apreendida
Será que também a tua está compreendida?
Não sei
Não quero saber
Violada me senti
Só a deusa sabe o que vi
Rasguem o meu ser
Sinto-me em estado febril arder
Estou farta, nem amar mais sei se quero
Estou angustiada, por algo espero
Mas nao sei pelo quê
E nem sei se quero saber porquê!
Sangra-me alma
Nem ela se mantem calma
Que jorre a mágoa livremente
Que chore o quanto queira
No silencio da noite vagueia a mente
Correm as lagrimas na beira
Roubada está a inocência
Assim está em evidência
Que para ti não sou mulher
Nem a Deusa quer
Que de um homem sinta receio
De junta estar em pleno deleito
Finda está a liçao, aprender
Quem por mais pensamentos semelhantes
Não indica que sejam constantes
De juntos felizes se ser
E até ao final de uma vida juntos viver!

Mafalda Sanches

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